Existo em redes. No momento, inclusive, digito sentado em uma rede azul pendurada em duas colunas de uma edícula à beira do Rio Grande. É primavera de 2025. As noites têm sido frescas, mas o sol já queima forte quando o céu abre durante o dia.
Já fazem mais de seis anos desde que saí de Ubatuba e do Brasil, inicialmente para começar meu doutorado. Mas sempre mantive um pé por aqui - entre projetos, eventos, e períodos de reflexão.
Chego aqui nesses dias com uma necessidade de respirar mais fundo e reorganizar pensamentos. A proximidade com o rio e o ritmo das marés ajuda nesse ponto. O planeta é inescapavelmente cíclico, por certo.
A intensa vida do mangue é mais um elemento. São múltiplas espécies dando as caras o tempo inteiro. Nada aqui é estático. Aquela ideia de ambiente natural que se comporta como um zoológico - organizado, catalogado, previsível - não faz nenhum sentido por aqui.
Por coincidência (se é que isso existe), estarei em Ubatuba na próxima semana durante o evento de lançamento da Residência S+T+Arts organizada pelo LACO. O nome do evento é "Instabilidades Costeiras", e vou registrar minhas impressões aqui na Coletora.